Um site no Wix chega para um terapeuta?

Se vive só na bio do Instagram, chega. Se queres que quem não te conhece te encontre no Google, ou que uma IA te recomende, um template raramente o faz sozinho. Aqui está porquê, e um teste de cinco minutos.

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Tema

Wix

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Visibilidade

O Tiago de costas numa estrada de terra no Alentejo, a empurrar um carrinho de bebé entre erva alta e seca, debaixo de um céu azul

Em resumo

  • Se o teu site vive só na bio do Instagram, o Wix chega, e uma página de links simples fazia o mesmo trabalho.
  • Um site no Wix pode aparecer no Google. No endereço grátis aparece muito pouco, e mesmo com domínio próprio o template deixa vazias as partes que o Google e a IA leem.
  • Antes de pagares a alguém, eu incluído, há um teste de cinco minutos que podes fazer hoje ao teu próprio site.

A resposta curta

Às vezes um site no Wix chega, e prefiro dizer-te isso primeiro.

Se estás a começar, tens uma oferta só, e toda a gente que marca chegou até ti por um amigo, um template faz o trabalho. As tuas pessoas já sabem o teu nome, por isso só precisam de um sítio para ver as datas e de um botão para te escrever.

Deixa de chegar no momento em que queres que alguém que nunca ouviu falar de ti te encontre. Alguém noutra cidade, a escrever no Google o que fazes às onze da noite, ou a perguntar ao ChatGPT onde encontrar um terapeuta de som perto de Lisboa. Essa pessoa ainda não sabe o teu nome, e é aqui que a maior parte dos sites de template fica em silêncio.

Um panfleto, uma banca e uma loja

A forma mais fácil que encontrei de o explicar é com uma coisa que toda a gente conhece, a forma como um pequeno negócio aparece numa vila.

  1. Um panfleto

    A tua bio do Instagram, um PDF, uma página de links

    • Quem já te conhece: sim
    • Desconhecidos a pesquisar no Google: não
    • Assistentes de IA a recomendar-te: não
    • Continua teu se mudares: pouco
  2. Uma banca no mercado de outra pessoa

    O Wix no endereço grátis

    • Quem já te conhece: sim
    • Desconhecidos a pesquisar no Google: pouco
    • Assistentes de IA a recomendar-te: não
    • Continua teu se mudares: não
  3. Uma loja com a tabuleta em branco

    Domínio próprio, o template como veio

    • Quem já te conhece: sim
    • Desconhecidos a pesquisar no Google: pouco
    • Assistentes de IA a recomendar-te: pouco
    • Continua teu se mudares: sim
  4. Uma loja no mapa

    Qualquer site onde alguém preencheu as partes que ninguém vê

    • Quem já te conhece: sim
    • Desconhecidos a pesquisar no Google: sim
    • Assistentes de IA a recomendar-te: muitas vezes
    • Continua teu se mudares: sim
Mais ou menos, a partir dos sites que abro todas as semanas. Ninguém pode prometer a primeira página do Google, e quem promete está a adivinhar.

Um panfleto funciona lindamente quando o entregas a alguém, e ninguém encontra um panfleto a pesquisar por ele. É isso que é, de facto, um site que vive só na tua bio. Se é só isso que precisa de ser, uma página de links ou até um PDF bem feito faz o mesmo trabalho, de graça.

Uma banca no mercado de outra pessoa tem gente a passar, com o letreiro do mercado pendurado por cima e uma morada que é do mercado. É o Wix no endereço grátis, o que acaba em wixsite.com. O Google consegue encontrá-lo, e raramente o mostra a alguém. As próprias páginas de ajuda do Wix dizem que precisas de um plano pago e de domínio próprio para ligar o site às ferramentas do Google, e se um dia saíres, a morada fica para trás, com todos os links que alguém alguma vez partilhou.

Uma loja com o teu nome à porta é um passo a sério, porque com domínio próprio a morada é tua para sempre. Mesmo assim, uma loja com a tabuleta em branco, as montras apagadas e sem horário na porta perde a maior parte de quem passa, e é assim que um template parece ao Google quando ninguém preencheu as partes que não vês.

A última loja, a do mapa, também pode ser um site no Wix. O que leva um site da tabuleta em branco até ao mapa é sobretudo trabalho que ninguém vê, feito por alguém que sabe que ele existe.

O que vê quem passa, e o que lê o Google

Quando olhas para o teu site, vês as tuas fotografias, as tuas cores e as tuas palavras. O Google e os assistentes de IA leem outra coisa, as pequenas etiquetas por baixo: o nome de cada página, a linha que aparece por baixo dele nos resultados da pesquisa, uma descrição de cada fotografia, e se o texto diz com clareza o que fazes e onde.

Na maior parte dos sites de template que abro, essas etiquetas ainda dizem o que o template dizia no primeiro dia.

Como o template o deixou

sofiasound.wixsite.com › mysite

Home | Mysite

Home. Sobre. Serviços. Contacto. Marcar agora.

O que o Google lê por baixo da fotografia: IMG_4032.jpg

Com as etiquetas preenchidas

sofiasound.pt › banhos-de-som

Banhos de som em Lisboa | Sofia, terapeuta de som

Banhos de gongo e sessões individuais em Lisboa e online. Grupos pequenos, cerca de noventa minutos, e nada para preparar.

O que o Google lê por baixo da fotografia: Sofia a tocar gongo num banho de som em Lisboa

A Sofia é inventada. As etiquetas vazias à esquerda são as que encontro mais vezes.

Os dois podiam ser o mesmo site, com as mesmas fotografias e a mesma pessoa por trás. O segundo diz o que é, nas palavras que alguém escreveria de verdade. É quase tudo o que as pessoas querem dizer com SEO, uma palavra que a maior parte dos meus clientes já ouviu muitas vezes e que nunca ninguém lhes explicou.

Onde toda a gente pergunta agora

Cada vez mais pessoas saltam o Google e fazem ao ChatGPT, ou ao assistente do telemóvel, uma pergunta inteira de uma vez: onde posso ir a uma cerimónia de cacau perto de Sintra este mês? O assistente responde com uns quantos nomes, e escolhe os que têm sites que consegue ler com clareza.

Ele lê texto. Um site que é quase só fotografias com uma linha por cima, ou um programa que só existe como imagem de um cartaz, não lhe diz quase nada. Estes assistentes também se apoiam muito no que o Google e o Bing já encontraram, por isso um site invisível no Google costuma ser invisível para eles também.

Preparar o site para eles é o mesmo trabalho das etiquetas. Diz com simplicidade quem és, o que ofereces, onde, para quem e como se marca, em texto a sério, na página.

O Tiago a meditar, muito pequeno, numa praia larga e vazia, com o mar e as rochas atrás
Uma pessoa numa praia muito grande. É mais ou menos assim que um pequeno projeto parece na internet.

Quando o conselho vem do ChatGPT

Há outro lado nisto. Cada vez mais, as pessoas fazem ao ChatGPT as perguntas que antes faziam a uma pessoa, alguém que faz este trabalho da vida. A resposta chega em poucos segundos e soa muito segura de si, e quando não tens forma de saber melhor, é fácil assumir que está certa.

Há quem funcione assim, e está tudo bem. Eu também o faço, com coisas de que não percebo nada. O problema é que o ChatGPT tende a concordar com a forma como perguntaste, e nunca viu o teu site. Por isso o conselho vira decisões, um plugin aqui, um template novo ali, uma secção copiada do site de outra pessoa, e só meses depois se percebe que algumas estavam erradas. Normalmente é aí que as pessoas vão à procura de alguém com experiência.

É um pouco como os carros. Hoje qualquer pessoa vê um vídeo e muda o óleo do próprio carro, e ainda bem. Um carro arranjado durante anos por quem tinha um vídeo aberto já é outra história. As peças novas acabam aparafusadas em peças velhas e ferrugentas que já não saem, e quando chega a um mecânico a sério, pô-lo a andar outra vez pode dar o triplo do trabalho. Às vezes a resposta honesta é que um carro novo custa menos do que salvar o velho.

  1. Um trabalho pequeno, feito por ti

    O óleo e os pneus. Num site, uma fotografia nova ou as datas do próximo mês.

    • O trabalho para arranjar: pequeno
  2. Um conselho seguido sem confirmar

    Uma peça que alguém na internet disse que servia. Num site, o plugin ou o template que o ChatGPT sugeriu.

    • O trabalho para arranjar: maior
  3. Anos de peças novas em peças ferrugentas

    Já nada sai limpo, por isso o mecânico recomeça a partir do chassis.

    • O trabalho para arranjar: muito grande
O mesmo carro, em três momentos. Quanto mais cedo alguém que faz isto todos os dias olhar para ele, mais pequeno é o trabalho.

Os sites envelhecem da mesma forma. Quando alguém me escreve a querer mudar uma coisa, essa coisa está muitas vezes presa a outras dez, e a única saída limpa é começar de novo. Escrevi sobre um desses casos no post sobre o cliente a quem disse para não redesenhar.

Perguntar ao ChatGPT é um bom primeiro passo. Perguntar a alguém que faz isto todos os dias, antes de agires com a resposta, custa muito menos do que perguntar depois.

O degrau à porta

Acessibilidade parece uma palavra para grandes empresas. No teu mundo quer dizer pessoas muito comuns. A tua cliente de sessenta e cinco anos que deixou os óculos na outra sala. Alguém a ler a página do teu retiro no telemóvel, ao sol, na praia. Alguém que vê as cores de outra forma, ou que anda pela página com o teclado, ou que a ouve em vez de a ler.

Numa loja, é o degrau à porta e o tamanho das letras no menu. Num site, é texto cinzento claro sobre bege, botões pequenos demais para um polegar, e fotografias sem descrição para quem ouve a página. Os templates escolhem isto pelo aspeto, e muitas vezes é a primeira coisa que mudo quando alguém passa o site para mim.

A porta também deve abrir depressa. Com dados móveis no campo, um site que leva vários segundos a aparecer já perdeu parte das pessoas que lhe tocaram.

A renda

Uma banca num mercado paga renda, e no Wix a renda chega todos os meses, enquanto lá ficares, mais as apps que vais juntando pelo caminho para marcações, uma loja ou uma newsletter. Para um projeto pequeno, isso muitas vezes está bem. Vale a pena saber quanto dá num ano, e o que recebes em troca.

Escrevi a comparação inteira, com uma calculadora para o teu caso, em Quanto custa mesmo fazeres tu o site.

Um teste de cinco minutos para fazeres hoje

Não precisas de mim para isto, e gostava que o fizesses antes de pagares a alguém. Marca o que te acontecer.

  • Quando pesquiso o que faço e a minha terra, o meu site não está na primeira página.
  • Quando pergunto ao ChatGPT quem faz o que eu faço perto de mim, o meu nome não aparece.
  • O separador do browser ainda diz "Home", ou o nome do template.
  • Lá fora, ao sol, há texto meu difícil de ler no telemóvel.
  • Alguém mais velho da minha família não conseguiu marcar nem escrever-me sem ajuda.
  • O meu endereço ainda acaba em wixsite.com, squarespace.com ou parecido.

Se não marcaste nenhum, o teu site está a fazer o trabalho dele, por isso fica onde estás. Se marcaste alguns, a maior parte resolve-se sem mudar de lado nenhum, e digo-te com gosto quais.

Se queres outro par de olhos no teu site, manda-me o link.

Digo-te o que vale a pena mudar, e se ficar onde estás for a decisão certa, também te digo isso.

Próximo post:

A IA é o meu trator,
e o tempo que poupa
vai para ti